sábado, 8 de março de 2014

Controvérsias de um futuro

Foi no Hypeness que eu tive a necessidade de escrever uma carta para mim mesma. Mas pra daqui pra frente. Não como forma de apontar metas daqui pra lá, mas pra que eu possa sintetizar algumas coisas que pretendo nesse percurso. E se não der certo daqui 10 anos ou 2, que dê agora.

Descobri muitas coisas no último ano, algumas delas, foi a possibilidade de existir amor de verdade nesse mundo tão hostil. Aquilo que te faz velejar sem saber velejar, e te deixa sair sendo vitorioso mesmo que aos olhos dos outros você tenha sido uma derrotada, afinal o mundo é realmente hostil e você não deve esperar nada dele, nem de ninguém. A vida ficará mais clara e objetiva.


Foque em você. Saiba ser feliz sem precisar de muito. Faça por você, antes de tudo, pois sua família sempre estará com você, mesmo sua mãe sendo dramática. Aliás, comece curtindo melhor a sua família, você sabe que a sua consciência arde de pensar em se arrepender de não ter aproveitado a oportunidade de trocar seus amigos pela sua família de vez em quando (mãe, eu sei que você vai amar essa parte).


Planeje gastar melhor o seu dinheiro, pois você pode se arrepender de não ter feito a viagem que você tem pensado em fazer. Mas sobretudo, coma mais vezes o que você mais ama: comida japonesa. E como nós sabemos que isso requer dinheiro, não fique triste caso não tenha conseguido viajar, você foi feliz fazendo jejum pra arrebentar no rodízio. Aliás, entre a felicidade a longo prazo e a felicidade a curto prazo, opte pela primeira que te der na telha. Só não se martirize depois.


Cuide da sua saúde, dos seus estudos. Não deixe o inglês, por favor, isso vai te fazer muita falta lá na frente. E se puder comece a trabalhar em algo que te dê mais prazer do que benefícios financeiros, comece. Você não precisa se planejar tanto com relação a isso, estas são coisas ajeitáveis. Dinheiro é fundamental para se viver bem, não dá pra negar, mas não deixe de usar seu tempo ócio para praticar a escrita e poder finalmente se integrar em um trabalho prazeroso. Você vai estar mais preparada, pode acreditar.


Continue vendo filmes que te provocam êxtase psíquico de tão emocionantes. Desapegue-se da necessidade de terminar de ler os livros chatos que você começa, aprenda a procurar livros e lê-los. E se você achar que vale a pena, leia até mesmo a parte chata. Como tudo na vida, uma hora fica chato, depois vale a pena. É verdade, tá na bíblia.


Mentalize uma agenda pessoal de tudo que você ainda quer fazer até se tornar mãe ou antes de encontrar um par perfeito pra sua vida toda. Na verdade, você não precisa de um par como este que você idealiza na sua cabeça. Seu coração ainda está muito machucado, você só precisa saber viver os seus momentos sem pressa para que eles terminem e comecem os próximos. Volte duas casas. Volte 2012 nesta questão: Desapegue-se. Livre-se de todas esses pensamentos. Sinta mais, pense menos. E não se prive do seu amor próprio.


Enlouqueça mais! E se seus amigos te disserem que você anda louca, você sinta-se elogiada e lisongeada. Sendo louca, você é feliz e se satisfaz, você sabe disso. Portanto, não hesite em se apertar e fazer uma viagem ou outra. É o seu momento. Aproveite! Lhe rendará boas histórias e muita realização pessoal. Com certeza, no futuro você verá que valeu a pena se desapegar desses conceitos que sei lá quem impôs. 

Tô assim, comendo flor. Foda-se.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O Fabuloso Destino de Nós Todos

O Fabuloso Destino de Amelie Poulain me inspirou a vir aqui jogar os dardos mais uma vez. (Eu gosto de vir vez e nunca, descobri isso neste instante. Minhas "epifanias" ficam ecoando todo o tempo na minha cabeça enquanto eu não postar a próxima, e assim sucessivamente. É bom, dá tempo de descobrir que cada texto carrega uma imensidão de espaços gritantes e significativos.)

Amelie Poulain me resplandece a sensação de que não podemos nos esquecer de nós mesmos, nem quando a gente vê que nossos vizinhos também precisam deles mesmos, mas se quer sabem o que isso significa. Nem Amelie, que os ajudava  descobriu sem ajuda que não podiamos esquecer do nosso eu-lírico, a única coisa que realmente carregamos com a gente.

No filme, ela, Amelie, joga a moeda no chafariz da vida de algumas pessoas que ela vê na lanchonete que trabalha, no condomínio que mora, na rua, ajuda um cego a atravessar e conta pra ele sobre tudo que se passa a sua volta enquanto caminham pela calçada, e tudo isso se somatiza de uma forma plena na vida destes. Isso é tão bonito que soa mais poético do que o cenário, as roupas e a nacionalidade francesa do filme, que não só no filme mas na vida real a gente não vê mas, é tão simples.

Hoje mesmo, li numa tira que dizia sobre deixar de querer mudar o mundo e aprender a mudar a si mesmo. Desde a época que escolhi ser jornalista, em que eu queria mudar o que o mundo não proporcionava de correto e coerente para as pessoas, de lá pra cá, passei a encarar a vida de uma forma mais sorridente para mim mesma. A gente sempre precisa viver um turbilhão de coisas por um tempo, até que você já descobriu tanto a ponto de apenas estar faltando colocar em prática dentro de você mesma e declará-las às pessoas, você coloca, declara e vê que já pode divagar por novas terras sem medo nenhum. Isso me proporcionou uma liberdade muito grande para olhar para os meus sonhos de um jeito mais vistoso e agradável, sem precisar de muitas coisas, somente de boa vontade. Este filme me vem sobre a Amelie esquecendo de si mesma e eu esquecendo das pessoas lá fora de modo muito coerente: a introversão.

É engraçado pensar na Amelie introvertida porque esqueceu de si mesma, porque introversão soa alheio aos outros, mas digo de modo a divagar tanto na alucinação de poder devolver a ultima peça do quebra-cabeça das pessoas a ponto de esquecer da sua própria ultima peça. Me sinto meio taxativa quando conto para mim sobre mim, não somente porque na última terapia parecia estar tudo no lugar aqui dentro, mas porque a mente geralmente é cruel com o que estamos sentindo. É conflitante ver o que se chama razão no ringue com as emoção mesmo sem ter acontecido nada de grandioso, apenas o cair e nascer de alguns dias. A vida, as vezes, parece pedir mais senso crítico para essas questões concretas que a gente lida ao longo dos dias e eu esqueço demais. Totalmente introvertida e alheia ao mundo real, como Amelie.

É tanta gente falando de si, de amor próprio, ora sobre o lixo que é o governo, a religião, o futebol, que o mundo está realmente equilibrado - apurem o senso irônico de vocês. Um dizendo que ama a vida e a naturezas, e outros levantando a bandeira che guevaras, que fica indecodifícavel saber a que pé estamos. Não dá pra saber quem é que está alienado nesta Terra de Ninguém. De repente você tá pedindo pela educação, de repente pela sua felicidade, um pragmatismo paralelo.
Quem é mais feliz? Sei lá! Cada um faz jus do que lhe convém pra agora, de repente a gente descobre que, como li esses dias num muro, cada pessoa carrega um universo dentro de si, que só me faz acabar essa crônica sentada na calçada de uma rua movimentada analisando meticulosamente o semblante das pessoas e o que supostamente elas podem guardar dentro de si, que de todo modo, é uma caixinha denominada certezas duvidosas/dúvidas certas.


Na minha opinião, fica:


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Sobre o frio

De todas as coisas que aconteceram até agora, a única conclusão que eu pude tirar e ter certeza de que nunca será abominada, mesmo quando o sol voltar:
É complicado

É complicado viver e lutar pela vida harmônica e sagaz, em que tudo é feliz seja no sol da semana passada ou no frio do começo dessa semana. Estou aprendendo a viver no frio agora

"Nunca vi frio como esse na vida", eu disse hoje pra minha avó e ela retrucou "Ah, já vi piores"
De veras que uma senhora de duas gerações anteriores a minha já sentiu mais frio do que este que paira em SP desde segunda-feira e não pela questão climática em si, mas pela metafórica condição vivida hoje, está frio e eu não sinto a ponta dos dedos dos pés e das mãos, tanto quanto vejo minha cabeça girar 360º durante o dia todo e fervilhar as milhares de hipóteses pra fazer tudo raiar novamente, não depende de mim, tampouco de ninguém. O tempo modificará e se modificará.

Não, estou melhor do que pensava e achava que pudesse estar. Hoje, tenho motivos e agasalhos o suficiente pra não estar sentindo tanto frio quanto eu achei que sentiria. No calor, fui capaz de achar que morreria se visse os 7ºC que chegamos, morreria a qualquer momento e seria uma morte como a dos animais que vivem no pólos. Sinto um calor psíquico de pensar que desde que eu não tivesse sentido frio como agora, aprendi a lidar com algumas coisas, como sobre o quanto é positivo saber não pisar nas poças de água na rua pra não molhar os sapatos e as meias suicidando as pontas dos dedos dos pés. A gente sempre sabe lidar por instinto (ou por aquisição) com momentos que nunca nos ocorreram, ou achamos que sabemos, e eu estou sabendo lidar com o frio. Inclusive acho essa temperatura baixa tão inusitada que gostaria que ela ocorresse assim surrada de vez em sempre, pra vida não perder a graça

Ontem, foi cedo, a caminho do trabalho que uma lágrima escorreu e eu pude pensar sobre o quão divino é a loucura de viver essa possibilidade de mudarem as condições climáticas independente das estações. Isso é uma grande loucura e devemos admirá-la somente por agraciar a vida de um jeito inesperado. Sol e chuva inesperado é sempre um espanto cômico pra quem não escolheu a roupa certa pra receber o sol ou pra quem não estava com o guarda-chuva na bolsa quando começou a cair aquela garoa fina ou aquela chuva insana.

Adorei o frio, adorei mesmo, achei que foi um divisor de águas pra eu conhecer a dádiva de usar meus casacos novos e admirar as pessoas que até mesmo dentro de um transporte coletivo ficam mais sofisticadas.

Posso ver esse frio de uma forma mais benéfica para mim mesma quando eu for viajar para o RS:
Estarei preparada!
Além do mais, não vejo a hora...